O MPDFT informa que todos os textos disponibilizados neste espaço são autorais e foram publicados em jornais e revistas.
Eles são a livre manifestação de pensamento de seus autores e não refletem, necessariamente, o posicionamento da Instituição.
Ivaldo Lemos Junior
Procurador de justiça do MPDFT
É muito conhecida a frase “o rei está nu”. Mas nem sempre é lembrado seu contexto, narrado no conto de Hans C. Andersen. Vamos recapitular: era uma vez um reino cujo rei era ruim, pois não se preocupava em oferecer o seu melhor para o povo, em termos de serviços valiosos e exemplos admiráveis. Não tinha dentro de si o espírito de disciplina, aprimoramento e dedicação, e sim de vaidade e futilidade: o que ele apreciava era roupa. Estava sempre se trocando, sempre ostentando indumentos novos (no fim das contas, a questão é definir se o povo tem um rei ou se o rei tem um povo).
Ivaldo Lemos Junior
Procurador de justiça do MPDFT
Se você buscar na internet o nome Roland Freisler, verá que foi um jurista do III Reich. Mais exatamente, juiz do Tribunal do Povo (VGH) em Berlim, cuja competência era apreciar delitos políticos como alta traição. Há uma fotografia de Sua Excelência, em alguma sessão forense, fazendo a saudação nazista, o braço direito esticado. Atrás dele, um estandarte exibe uma suástica e um busto do Führer (que ele chamava de “nosso amado Führer”), em tamanho natural, ou melhor, com o rosto ainda maior do que a do magistrado, reinventando o apotegma de que “cada cabeça, uma sentença”. Também há dois camaradas de cada lado de Freisler. À esquerda, um homem está fantasiado de juiz e o da direita traja uniforme militar; ambos também estão firmes na saudação e num provável e animado Heil Hitler!.